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terça-feira, 25 de novembro de 2008

Grandes Uniformes - Alemanha 1990

Sempre achei que a Alemanha tinha um uniforme privilegiado. As cores de sua bandeira podiam ser exploradas nos detalhes dos dois uniformes, já que tanto um quanto o outro, branco e verde, não eram cores oficiais da bandeira e ainda combinavam com o vermelho-preto-amarelo germânico.

Hoje o uniforme reserva da Alemanha perdeu a mística. Aquela camiseta verde alemã fez parte de minha vida.

Quando eu era pequeno, os jogos de vídeo-game que tinha não contavam com times brasileiros. Uma forma de duelar com meu amigo corinthiano, e simular um "Palmeiras x Corinthians", era jogar "Alemanha x Alemanha". Assim, com times iguais, o equilíbrio estava garantido, e era a única forma do corinthiano jogar de branco e preto, e o palmeirense de verde e branco.

Era mais estimulante que simular com "Austria x Irlanda".

Aliás, a camisa verde da Alemanha tem explicação irlandesa. É uma homenagem à esta seleção, que foi a primeira adversária alemã após a II Guerra Mundial.

Mas voltando aos sempre criativos desenhos que fazem referência á bandeira alemã, a minha opinião não tem dúvidas que o maior acerto da (quase) eterna parceira Adidas foi no uniforme do Tri Mundial. Que, até pelo título, se tornou mítica.

Essa roupa significou o auge dos experimentos não-lineares da Adidas, que fuçava com mais ousadia nas estampas e nas formas desde o fim da década de 80. Tendo sido a década de 90 a mais fértil em termos de invenções e pirotecnias, esta camisa da Alemanha pode ser considerada uma espécie de pai da espécie.

Camisa de Matthäus, Völler, Brehme, Klinsmann e outros nomes dignos de usar esta pérola.



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Grandes Uniformes (???) : Vasco 2009



Isto aí é o que o Vasco da Gama chama de uniforme para 2009. Como homenagem para o rebaixamento, pode até parecer justo. Mas estamos falando de uma coisa séria, de algo que foi aprovado de verdade. Ao vascaíno que temia ter apenas a sua histórica faixa transversal para se apegar, outro golpe. Até a maior marca do Vasco está maculada.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Grandes Uniformes - Borussia Dortmund 90´s

Uma clara recordação que tenho da infância: O Campeonato Alemão.

Jogos que ocorriam de manhã, transmitidos com sabor pela TV Cultura, cujo nome da Liga, Bundesliga, me fazia rir infantilmente com os trocadilhos possíveis.


Lembro muito do Jorginho, do Paulo Sergio, do Klinsmann, assim como lembro do Estádio do Bayern, o Olympiastadion, deslumbrante, um fetiche meu, um sonho de visita, com aquela cobertura de vidro acrílico(foto) absolutamente incomparável, que criminosamente foi aposentado em detrimento do Allianz Arena, cansativo aos meus olhos, um tipo de mais-do-mesmo arquitetônico com umas luzinhas bobocas no casco.

Mas não torcia pelo Bayern. Mesmo recehado de brasileiros, mesmo com aquele estádio, mesmo sendo favorito. Meu encanto estava em outra cidade. estava em Dortmund.


Aquela camiseta de cor elétrica, amarela fosforescente, em harmonia com o alambrado do estádio, na mesma cor, linda em qualquer situação, inesquecível com a moldura do sol frio de algumas rodadas da Bundesliga. Era diferente de tudo. Virou meu sonho de consumo.

Me marcou a infância, a época que troquei o desenho pelo futebol e precisava achar fantasia em alguma coisa qualquer, e a encontrei naquelas camisetas, assim como no telhado do estádio do Bayern. A camisa do Dortmund, consegui comprar. Ir à Alemanha, não, e me recusarei a um dia pisar no Allianz Arena (ok, mentira).

Hoje em dia, tá cheio de time usando a cor "limão", a cor "elétrica", como recurso de uniforme alternativo. Hereges. Curvem-se ao Dortmund, que a usava como camisa principal. Que foi referência para uma década de 90 de muita ousadia em experiemntos de uniformes. E que, a despeito do menino que escolheu o time por causa do uniforme, foi campeão da Copa dos Campeões e mundial em 1997, batendo o Cruzeiro em Tóquio, com aquele uniforme que nunca verei igual.


Imagem do uniforme: www.erojkit.blogspot.com
foto do time: www.talkelab.ucsd.edu
Foto do estádio: Panther Media

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Grandes Uniformes (?) - Chivas 2007-2008

Na Copa dos Campeões da Europa, o regulamento prevê que o número das camisetas deve ter apenas uma cor de fundo. Ou seja, por exemplo, a Inter de Milão tem que ter as costas da camisa em só uma cor, preta, no caso, posto que é proibido, por incrível que pareça, que o número branco tenha no fundo o tradicional e centenário listrado em azul e preto. Ou azul, ou preto. Os dois, não.

É escalafobético, me parece sem razão. E isso vai se alastrar. Quem vê poesia nos números pretos com fundo celeste e branco da camisa da Argentina, se prepare.

Mas é claro que o fato de algo não constar no regulamento pode significar abrir espaço para insensatos inventores do absurdíssimo. Parece óbvio que o número precisa ser legível, grande, centralizado, em cores não-conflitantes (né, Vasco da Gama?).

Mas a fanfarra toca alto no coração de alguns gênios. O Chivas, do México (com franquia nos States!), entre 2007 e 2008, inovou. Os regulamentos não diziam o contrário, então, podia fazer o que eles fizeram. Essa coisa bizarra:


O uniforme do Chivas deixou, nessa nova temporada, de brincar com os números. Por isso, o atrativo para quem for assistir Atlético-PR e Chivas será apenas o jogo, mesmo.

ps. Veja o exemplo da Inter de Milão, no Italiano e na Copa dos Campeões 2007-2008:

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Grandes Uniformes - Flamengo 1981

Semanas atrás, o Flamengo, que vive batendo cabeça com a Nike, tomou uma atitude pitoresca em nome da superstição. Embalado e disparando no Brasileirão, o time trocou de modelo de uniforme, agora com listras mais finas. E perdeu os dois primeiros jogos.

A culpa das derrotas foi atribuída às listras. Como ninguém pensou nisso antes, a camisa foi planejada, apresentada, aprovada, elaborada, fabricada e distribuída. Só após isso que lembraram do tal mal agouro das listras finas.
Numa ação de anti-marketing, a camisa saiu de campo, sem sair das lojas. Mas as vitórias nem por isso voltaram. Mais 4 ou 5 jogos complicados e sem vitórias, e, ora ora, os supersticiosos se dessupersticiopolizaram. A velha camisa nova voltou e em pouco tempo venceu.

Os flamenguistas tem lembranças extasiantes dos anos 80. Nessa década quase toda, o rubro-negro jogou com um uniforme de listras mais grossas. Virou um signo, uma marca, um detalhe que a paixão, só ela, faz virar pauta, assunto, questão existencial.

O time de 1981, Campeão Mundial, usava faixas mais grossas, como você vê na foto acima (tá, em Tóquio o mengo usou branco, vale o registro). A partir daí o time da Gávea imaculou o estilo nos anos seguintes, com poucas listras - e o eterno patrocínio da Petrobrás.

Acontece que em 1980, no ano anterior, como você vê nessa foto ao lado, as faixas eram mais finas. E isso não impediu, ao que parece, que o Flamengo fosse o Campeão Brasileiro.

A culpa não é do tamanho das listras. A culpa é do Zico, que joga um pouco mais de bola que o Íbson. Do Júnior, que me parece levemente superior ao Juan.
De toda forma, o Flamengo vem voltando a viver e criar histórias que fazem parte de seu folclore e seu potencial, como a média de público de 39 mil pagantes em 2007, ou o absurdíssimo de elevar Obina ao patamar de novo Fio Maravilha. Essa história das listras me soa deliciosa, romântica, engraçada. Só concebível num time como o Flamengo.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Grandes Uniformes - Brasil 1982

Vou, com regularidade (sem essa de estabelecer dia da semana, isso não tá com nada!), fazer uma homenagem a grandes uniformes da história do futebol. Pela beleza, pelo que representaram ou pelo que podem explicar, pelo que podem contar para nós.

Inauguro a sessão com uma canarinha. A canarinha usada pelo Brasil na Copa de 1982. A camisa de gola olímpica que ficou marcada pelo timaço que não alcançou o tetra. Fabricada pela paulista Topper (pra quem reclama da mundial Nike), foi também a primeira vez que o distintivo "com marca de café" representou a CBF no manto numa Copa.

Nesse tempo os uniformes eram mais legais. Hoje em dia, as roupas são feitas para eliminar o suor. Essa camisa, de 82, suava, encharcava, começava num tom de amarelo e terminava com outro.

Isso talvez explique a relação mais humana entre jogador e camisa. Este uniforme inaugura a lista por conta dessa relação humana que ainda perdura. É preciso lembrar dessa equipe de 82, mesmo eu, que nem vivo era na época.

Não porque jogava muito, tinham craques ou qualquer coisa. Mas porque, quando o Brasil perdeu em 82, o brasileiro perdeu junto, se sentiu golpeado. E dá saudade de perder junto desta camisa.

Jogamos nessa sexta pelo bronze olímpico. De novo, sem alma olímpica. Com um uniforme horroroso, onde o único logotipo é o da Nike. Com a tipografia do número inspirada nos números do "Real" - melhor seria se inspirar no "Euro".

Um uniforme que se compra, mas não se veste. Nem por eles, nem por nós. Esperemos isso mudar.


imagem feita pelo blog http://www.switchimageproject.blogspot.com/. Para vê-la em tamanho maior, clica nela.