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segunda-feira, 21 de março de 2011

No meu time, Diego Souza seria volante

De Leandro Iamin

Diego Souza, com Mano Menezes no Grêmio vice-campeão da Libertadores de 2007, atuava de segundo volante (Lucas Leiva era uma alternativa para esta posição, embora a formação ideal tivesse ambos).

Do Grêmio ele foi para o Palmeiras, depois Atlético-MG, e cada vez mais virou atacante. Fez um bom Brasileirão em 2009, como meia-atacante. Chegou 2010 e Diego assumiu de vez o novo posicionamento.

Fracassou. No Galo, não conseguiu espaço em formação alguma.

Diego Souza não é um grande marcador, mas é forte e consegue chegar com força no ataque. Chuta bem, gosta de lançar, é ofensivo. Me parece ter o perfil de um bom 2° volante.

E, se fosse ele, tentaria sê-lo no Vasco.

Não é pela seleção

O veterano Felipe joga de volante pela esquerda na equipe cruzmaltina, hoje. Perdeu a briga na "meiuca", onde o Vasco tem bons nomes.

Diego jogaria mais que Felipe na função, com certeza.

Mano Menezes usa Elias na posição. Já testou outros nomes, e sabe da qualidade de seu ex-atleta nessa função.

Acho dificil que Mano um dia escolha refazer sua dupla de volantes dos tempos de Grêmio. Diego teria de jogar muito e na verdade acho que Ricardo Gomes o usará mais avançado.

Portanto, não penso na hipótese por causa da Seleção. Penso, sim, no próprio talento do atleta.

O novo camisa 10 cruzmaltino busca recomeçar sua carreira após afundar com ela em Minas Gerais. Se achar uma posição onde consiga jogar como jogou um dia, ótimo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O Muro de Berlim e o Mapa do futebol alemão


de Leandro Iamin

Quando vemos a primeira divisão brasileira concentrada em poucos Estados e vagando ao redor de um "eixo", temos um mapa que explica a divisão social e financeira desse gigante território.

A falta que faz um time do norte, a luta pelos nordestinos manterem-se na elite, e o circulo vicioso que isso causa (fora da elite, menos dinheiro, menos prestígio, menos torcida) justifica outros significados para um mesmo jogo, posto que o caminho que um time longe do "eixo" trilha rumo ao sucesso é mais espinhoso. Muitas vezes, estes se vestem com um orgulho regional para equilibrar partidas.

No entanto, não somos o único país cujo mapa da bola explica o mapa da história. A geografia de todos os países dialoga, ao menos um pouco, com a distribuição de seus principais clubes.

20 anos após a queda do Muro de Berlim, que dividia a Alemanha em ocidental (aberta ao capital) e oriental (fechada), o mapa da BundesLiga, primeira divisão alemã, nos conta muito do que é o país.

Abaixo, você vê onde se localizam os 20 times que compõem a Bundes. Em amarelo, o território oriental dos tempos de Muro de Berlim.

Apenas um clube da elite alemã vive no território "oriental". É o Hertha, que, além de ser da capital Berlim, é disparado o último colocado do Alemão. Ou seja, pro ano que vem a BundesLiga pode ser 100% "ocidental".

20 anos depois, e os times dessa região seguem com dificuldades para manterem-se no nível estrutural de seus concorrentes conterrâneos.


Sobre o mapa

A Alemanha encontra uma concentração maior na região da Renânia e do Norte-Vestfália. Bochum, Dortmund e Gelsenkirchen são cidades vizinhas, e ladeadas por M´Gladbach, Leverkusen e Köln. Nessa região, cidades como Duisburg, Bielefeld e Aachen possuem regularmente times na elite.

Norte e sul possuem times quase fixos: ao norte, Werder Bremen e Hamburgo são fortes, e o Wolfsburg segue o mesmo caminho. No sul, a região bávara coloca o Bayern, e ao seu sudoeste a região é próspera com as cidades de Stuttgrt e Frankfurt, por exemplo.

Vale lembrar que, na região da Alemanha Oriental, além do Hertha Berlin, o Cottbus é um time de recente participação na BundesLiga, assim como o Hansa Rostock.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

De palmeirense para corinthiano

De Leandro Iamin

Provavelmente eu era o único palmeirense presente no Parque São Jorge naquele 7 de junho de 2000. Horas antes Marcelinho perdera o pênalti que eliminara o alvinegro da Libertadores. Era dia de luto. Para eles, claro.

Meu primo jogava pelos juvenis do Timão. Eu, vizinho do clube alvinegro, o acompanhava. Naquela manhã eu queria gritar e abraçar palestrinos. Mas estava dentro do clube derrotado. É claro que não vou contar aqui as expressões, os vultos, os silêncios que vi, ouvi e senti lá dentro. Seria deselegante.

Nessa época, assistia muito os treinos do time profissional, campeão do mundo (haverá sempre a deliciosa controvérsia sobre isso, tem que ser assim, o Palmeiras foi barrado no baile e o assunto jamais acaba), esperando meu primo. Ficava perto dos jornalistas. Via o trabalho deles e adorava. Seis anos depois virei um deles.

Posso dizer que a profissão que escolhi foi, também, um pouco graças ao Corinthians.

Como devo dizer que, por morar em São Paulo, o Corinthians faz parte de minha biografia, mais do que eu posso supor. Este time é mesmo o avesso do avesso do avesso. A cidade também. Eles são maioria, alvo, vidraça, a história a se contar. Protagonistas dos outros mundos, antagonistas de si mesmos, masoquistas aos olhos distraídos.

Tinha 8 anos e estava no Morumbi em 12 de junho de 93, quando meu time venceu o deles e saiu da fila de 16 anos. Pouco depois estava no Pacaembu na final do Rio-S. Paulo. Campeão. Mais dezoito meses e assisti, no mesmo Pacaembu, diante do mesmo Corinthians, meu time levar o brasileirão.

E não eram fregueses, não soava assim. Eles cantavam mais que nós após o fim do jogo de 94. Cada vitória era um desabafo. Lembro de um amigo, o Gabriel. Palmeirense. Foi a um derby comigo nesse ano de 94. Deu Corinthians. Chegando na casa do Gabriel, haviam uns 10 corinthianos trepados em seu portão, o esperando chegar e cantando corinthianices. Gabriel foi detonado, sofreu o maior bullyng de sua vida.

Gabriel acabou virando corinthiano. O Corinthians pressiona. Atrapalha, não é conveniente. É mal educado, espaçoso.

Volte 20 anos. O Timão nada tinha além de títulos estaduais. Mas suas derrotas eram as mais lembradas, e eles tinham 77. Tinham o IV centenário, a quebra do jejum contra o Santos de Pelé, etc, etc, etc. E tinham invasão de Maracanã, democracia, torcida crescendo na fila, mais etcéteras. Eles não precisam do melhor argumento para ganhar uma discussão.

Muitas vezes acreditam demais nas próprias retóricas, a ponto de realmente o menos importante, ou o menos nobre, se tornar o essencial.

Vieram 5 estrelas na camisa. Um Dualib e algumas parcerias que não valeram a pena. Um
rebaixamento que quebrou, literalmente, a imagem de São Jorge. Ilusões do estádio que nunca sai, da Libertadores que nunca vem, de coisas que este time nunca precisou, mas que, de tanto tempo que sobra, parece necessário.

Porque o dia do Corinthians não tem 24 horas. É muito assunto pra pouco dia. É muito signo, muita mandinga, muita referência. Como gostam de dizer, muita mística.

Uma mística que realmente é capaz de ganhar jogos sofridos, aquela coisa do "tudo ser mais
difícil". Mas a mística corinthiana também é caótica. As maiores mazelas e derrotas do Timão são fruto, ironicamente, de parte de suas maiores virtudes.

Perdem a cabeça, a razão, os jogos, de tanto que amam. Possuem um ciclo orgânico em que destróem (ou humanizam, ou reinventam) os próprios mitos, ícones, lendas, ídolos. Sempre saem do estádio jurando que vão golear o próximo adversário. No fundo acham super charmosa essa coisa de não ter Libertadores.

Não tem lógica, e nem é pra ter. Corinthiano pobre e maloqueiro não tem urgência de virar rico. Corinthiano derrotado e molhado de chuva não tem urgência de ser campeão, finalista, líder.
Ok, boa parte das torcidas são assim em alguma escala. Mas são pouquíssimos no mundo que possuem tanta vocação para o protagonismo quanto o corinthiano.

Este palmeirense aplaude o centenário do Corinthians. O Coringão é o maior rival do meu Palestra. E é o time mais rejeitado do país atualmente. Acho que o Brasil tem inveja do Palmeiras. Todos gostariam de ser o principal rival deste alvinegro anormal.

Não é a maior torcida, nem o mais vencedor, nem o mais rico, mais velho, mais colorido.
Também não são os mais diferentes, afinal nada que seja diferentão atrai 30 milhões de seres.

Talvez eles sejam a melhor idéia, não sei.

Não sou corinthiano e esta resposta eu não tenho. Nem o corinthiano, apaixonado que é e ligeiramente míope por isso, tem. O que pode explicar um pouco, só um pouco, deste time.

Parabéns ao Corinthians. De coração.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Um problema para o DeLorean

De Leandro Iamin



Este é o DeLorean, carro protagonista da trilogia De Volta para o Futuro.

Através dele, uma das mais famosas ficções do cinema mundial viaja pelo passado e também pelo futuro, correndo assim o risco de ter o presente modificado, o que poderia ter consequências trágicas ou cômicas.

O DeLorean que volta e avança no tempo foi invenção do cientista Dr. Emmett Brown, que teve como assistente o sagaz garoto Marty McFly. Esta dupla provavelmente será chamada pela CBF e pelo Clube dos 13 nos próximos dias, com uma missão espinhosa.

A Taça das Bolinhas, afinal de contas, deverá ir para um novo destino: Gávea ou Morumbi. Atentos à escolha, a torcida do Sport Recife quer ver a taça em São Paulo. Já o Mengo a quer para si, como se isso fosse resolver a questão: afinal, quem é o Campeão Brasileiro de 1987?

Eu tenho uma sugestão.

Uma vez decidido o destino da taça, chamamos Dr. Brown, e viajamos de volta para o ano de 1987. Quando chegarmos lá, é só dar um jeito de impedir que uma das torcidas comemore, que uma das massas se considere campeã nacional.

Se o troféu da discórdia for parar nas mãos do Flamengo, será preciso, também, voltar ao carro e partir apressado para 2007, com a missão de tirar dos corações sãopaulinos a sensação de que eles são os "primeiros pentacampeões".

Porém, se o novo endereço da taça for na zona sul paulistana, aí o trabalho da turma do Spielberg se concentra em 1987: será preciso apenas dar garantias de exclusividade à torcida do Leão, quem sabe fazendo uma camisa "Campeão único de 87".

Ironia, claro

Decisões engravatadas não vão adiantar. Decidem o endereço de uma taça física, mas não redefinem a realidade de uma conquista sentimental. Torcedores de Flamengo e Sport comemoraram como campeões nacionais.

As duas torcidas possuem motivos para isso. Seus argumentos são válidos. Suas festas foram respaldadas pela opinião pública, pelo povo ao seu redor. Não há como voltar no tempo e alterar esta realidade.

A consciência e a razão não são assim tão mecânicas. É possível dois lados opostos terem convicções opostas, e ambas estarem certas.

Ainda que decidam, em 2010, que algum dos Nacionais de 1987 simplesmente não existiu, e que os supostos participantes da "farsa" estarão rebaixados para a oitava divisão, quem gritou "é campeão", gritou com razão. E não há o que desfaça isso.

Nem o DeLorean de Dr. Emmett Brown.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Paulo Comelli e a classe

de Leandro Iamin

Paulo Comelli pediu demissão (ou foi demitido, depende da fonte) do Oeste ainda no intervalo da última partida deste time. E se mandou pra casa antes do 2° tempo começar.

Alega que houve interferência em seu trabalho. Que alguém "de cima" lhe pediu que tomasse alguma atitude.

Comelli foi digno, se a visão do acontecido for mesmo essa, simples, rasa, apenas pediram e ele apenas se mandou.

Futebol é cheio de nuances. Tudo é, aliás. Ou cheio de sujeira também, se assim preferir.

Interferência no trabalho de treinador é sim comum. Comelli não me contou que a América foi descoberta ao descortinar esse suposto embaraço.

A interferência tampouco vem só por parte de dirigentes, e muito menos afeta só o cargo do treinador.

Comelli reclamou e saiu de seu emprego, mas eu prefiro observar que ele foi vítima da própria classe. Classe desunida de treinadores que muitas vezes se aproveitam dessas mesmas interferências de diretores, ás vezes de empresários, torcedores, terceiros e quartos.

Classe de treinadores que não se importa com sindicato, não dá a mínima pra ética, pouco busca aprofundar-se no estudo da profissão e seu entorno.

Classe que sabe que é assim, e permite que seu cotidiano profissional seja sempre esse, raspando na troca de favor, esbarrando no tapismo-nas-costas.

O futebol catapultou essa função do futebol muito mais do que a mesma evoluiu no país. Treinador de time pequeno, treinador de base, treinador de ponta, todos sofrem com um descrédito ético que na verdade pouco lutam para combater.

Porque se falta mais visão, mais postura, mais união entre os treinadores, fica muito mais fácil pra um diretor pedir, ordenar, apontar dedo, ameaçar, chantagear, demitir, e contratar outro amanhã.

Dia seguinte: Paulo Comelli deixou o Oeste e assumiu o Sertãozinho. Será que ele está mesmo tão chocado ou preocupado com o que viu 24 horas antes no vstiário do Oeste?

A aldeia de Luís Fabiano

de Leandro Iamin

Luís Fabiano fez mais um de seus gols pelo Sevilla nesse meio de semana, pela semi-final da Copa do Rei. Gol difícil, de cabeça, saltando pra trás e encobrindo o goleiro.

Na comemoração, vestiu um chapéu que é a marca registrada do presidente do clube em dias de jogo.

A imprensa adorou a homenagem ousada do atacante. Os espanhois apreciaram a ideia e sublinharam o tamanho do futebol do camisa 9 da Seleção.

Que joga muito, que é uma fera, que eu aposto como um dos maiores nomes da próxima Copa. Mas que, como não joga no quadradinho da alegria (Milan, Inter, Real, Barça...), vive a ouvir os outros sugerirem que desperdiça sua carreira num time mediano.

Na minha opinião, Fabiano tem bola pra jogar em qualquer time. Gosto dele, mas gosto ainda mais por isso não afetá-lo, isso é, ele gosta do Sevilla.

Não é o maior time do mundo. Ele sabe. Mas tem torcida, disputa coisas, lha paga bem, tem estrutura, história. Precisa ser o maior time do mundo?

Lá ele conquistou títulos, perdeu coisas dolorosas, lá ele alcançou a Seleção, lá ele viu companheiro de time morrer em campo, lá ele tem carinho - campeão ou não. Porque se desesperar em ir passear em outra aldeia?

Quem acha que Luís Fabiano perde tempo no Sevilla, que vá assistir aos jogos do efêmero Chelsea, cujos jogadores mal parecem vinculados à camisa, à Londres.

Acho improvável, mas que bom seria Luís Fabiano encerrando a carreira no Sevilla. Vestindo o chapéu do presidente, sendo aplaudido de pé por uma das cidades mais cheias de personalidade no mundo.

Ser rei em Sevilha deve ser mais legal do que ser só mais um em Madrid.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Onde estão seus feriados?

Poucos dias atrás discutiu-se largamente sobre a religião, ou a demonstração exagerada desta, dentro dos campos de futebol.

Os que são contra defendem que o esporte deve ser laico. Que os católicos-cristãos-evangélicos possuem permissividades que os ateus e os demonistas não possuem, o que esbarra longinquamente numa discussão sobre discriminação.

Os que são a favor, sentem-se discriminados.

Agora, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, proclamou feriado nacional a todos os servidores públicos no dia seguinte à classificação de sua seleção à Copa do Mundo de 2010.

A pergunta que me faço é o que diferencia o moço que não possui religião do que não gosta de futebol.

O caso da religião nos campos virou capa de revista, foi tratado com seriedade virulenta. O feriado do Sr. Lugo, ao contrário, é tratado como pauta divertida, exemplo de como o futebol é bacanão.

Não devia ser. Quem não gosta de futebol deve ter tido a sensação de que parte do país parou um dia por causa de uma coisa irrelevante.

Assim como quem vota no derrotado legitima a eleição do vencedor, aquele que não gosta de futebol é quem dá corpo personal à comunidade do esporte.

E não faz sentido surgir um feriado a partir disso. Quem não gosta de futebol deve gostar, pode ser, de atletismo. Onde estão seus feriados?

Se o futebol precisa ser laico, tampouco um presidente pode exaltar-se assim numa comemoração. E o estado não deve comemorar uma classificação à Copa do Mundo desse jeito.

Ou então deveria fazer o mesmo com outros esportes.

O futebol é o cristão da história. Os outros esportes são compostos de ateus.

Lugo mandou mal. Até porque o Paraguai já está habituado a ir à Copa.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Histórias de Love

O artilheiro do amor que acaba de voltar ao meu Palmeiras me emocionou. No dia da confirmação, confesso que caíram duas lágrimas, uma de cada olho, enquanto comia um pão matinal.

Lembrança com afeto de um tempo bom que vivi. Era meu primeiro ano como universitário, um momento de maturidade, descobertas, mas de Palmeiras na Segunda Divisão.

Fui a quase todos os jogos daquela campanha. Sempre sozinho. Ingressos a 5 reais comprados numa peixaria no Mercadão da Lapa. Protestos contra a diretoria, noites na rua, 2x7 pro Vitória em casa, discussão com Oberdan Cattani.

Seja lá como for, isso tudo foi gostoso e estava debruçado na arquibancada, no primeiro degrau, quando Vagner Love deu, de cabelo colorido, a volta olímpica com a Taça na mão.

A relação com Love é de carinho. No momento mais difícil, aquele menino deu folclore e qualidade, auto-estima e gols. Mas minha relação com Vagner Love vem de antes.

Meu primo se tornou jogador de futebol. Em 2002, ele era juvenil da Portuguesa. Fui ao Canindé vê-lo jogar. Palmeiras x Portuguesa. No jogo preliminar, feito pela categoria mais velha, Vagner estava no banco.

A Lusa foi pro intervalo vencendo, 1x0. Entrou o moleque, camisa 17. Em 15 minutos, ele marcou dois gols. 2x1. O time que tinha Alceu como capitão, tinha também um destaque no banco.

Alguns meses depois, veio a Copa São Paulo de Juniores. Eu passava férias em São José dos Campos, onde o Palmeiras jogou a primeira fase da competição, em 2003. Fui aos jogos, claro.

Na rodada final, era preciso ganhar por 5 gols para classificar. E Vagner não estava em campo. Ninguém no estádio podia supor o motivo do craque alviverde estar de fora. Nem no banco.

Chega o intervalo, e descubro que Vagner está, todo de preto, nas cadeiras do estádio. Vou até lá. Ele dá autógrafos para uns garotos. Eu não quero assinatura.

-Vagner, porque você não está jogando?

O atacante me olhou, fez cara de dor, colocou a mão na coxa, e sentenciou.

-Panturrilha, cara.

Mais tarde, chegando em casa, assisti perplexo o diretor de futebol Márcio Araújo contando a versão oficial da "contusão" de Vágner. Uma contusão que lhe deu o apelido eterno de Vágner Love.

Ele mentiu pra mim, mas gosto dele de verdade.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Qual conclusão se tira?

Estes são os números dos jogos do final de semana, pelas Ligas Nacionais na Europa, em comparação ao Brasileirão.

Nosso futebol é o mais violento do mundo? Ou são nossos árbitros que usam o cartão de forma doentia?



Campeonato Inglês
29 amarelos, 0 vermelhos, 0 expulsos

Campeonato Alemão
24 amarelos, 0 vermelhos, 0 expulsos

Campeonato Francês
33 amarelos, 0 vermelhos, 2 expulsos

Campeonato Turco
45 amarelos, 0 vermelhos, 1 expulso

Campeonato Português
35 amarelos, 0 vermelhos, 1 expulso

Campeonato Holandês
37 amarelos, 0 vermelhos, 1 expulso

Campeonato Brasileiro
58 amarelos, 4 vermelhos, 9 expulsos.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Vélez: um campeão borrado

Com 36 anos sem título, o modesto Huracán contava com toda a torcida argentina. Com chuva e atraso, o Vélez, em casa e pela vitória, bancava o vilão contra o Huracán, a quem bastava empatar.

O jogo começou veloz, aberto. O Huracán estava à vontade, trocando passes, mas o "furacão" não foi mais forte que a chuva de granizo que interrompeu o jogo aos 18, por cerca de 20 minutos.

Esses 20 minutos foram de insistentes replays: um gol legítimo do Huracán foi anulado, por impedimento. Nem polêmico o lance foi: posição legal!

Na volta, o Vélez controlou o jogo. Vertical, com pontas abertos ganhando o fundo, e o Huracán se encolheu. Aos 24, Araujo derrubou Martínez, e dessa vez o juiz acertou. penalty pro Vélez.

Monzón caiu pra sua direita e espalmou pra fora! No escanteio, Arano tirou, de cabeça, em cima da linha. El Globo passou ileso por dois lances agudos, mas continuou sem conseguir ser cadenciado como gosta.

Martinez, camisa 7 azul, caía pelos lados, objetivo e veloz como um Euller. O Vélez imprime um ritmo forte, e tem seu melhor momento no jogo. Mas de nada adiantou.

No final da primeira etapa, o Huracán deu dois enormes sustos, com uma bola no travessão, inclusive. Mas, de novo, a confiança do visitante foi freada pelo juiz: intervalo.

Na etapa final, o Platense foi sincero em posicionar-se muito recuado, com uma linha de 5 atrás, tendo um líbero. Isso neutralizou os lances de velocidade de Los Fortineros, obrigou o meio a pensar mais.

Mensagem dada, reação tomada: Larrivey, atacante de área, entrou no lugar do laeral Dias. O Huracán responde colocando um atacante descansado e de velocidade, Cesar González.

Nas trocas, o Huracán se deu bem. O Vélez não teve mais calma pra bolar soluções. Faltando 20 minutos, Velazquez, rápido mas nada prestigiado com a torcida, uma espécie de Denílson, entrou para "salvar" O Vélez.

A pressão não surtia efeito. Até que, num balão aos 40, o Vélez venceu a zaga e Larrivey teve sua chance. Porém, ele atingiu o goleiro em falta escandalosa.

O árbitro ignorou, e, no rebote, Maxi Moralez empurrou pra rede. É o gol do título fortinero.

E o início da perda completa de compostura do time prejudicado. O autor do gol sofre cãimbra e vai expulso, por tirar a camisa. O jogo não anda.

A bola rola, e num arremesso lateral, uma bagunça é armada entre os bancos de reservas. o jogo não anda.

A bola rola de novo e Larrivey se indispõe com a zaga do Globo. Empurra-empurra, sopapos, e Sebá, zagueiro do Vélez, aquele mesmo ex-Corínthians, aparece com o rosto cheio de sangue.

O jogo não anda. São 58 minutos, e o árbitro Gabriel Brazenas apita o final da Final, que ele apitou tão mal.

O Vélez é o novo campeão. Posto que a Argentina toda havia adotado o Huracán para apoiar, os lances controversos à favor do novo campeão serão lamentados por dias e dias.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Corinthians: campeão nas horas erradas?

O Corinthians perde a final da Copa do Brasil de 2001, para o Grêmio.
Mas ganha em 2002.
E se estrepa na Libertadores de 2003.

Tivesse ganho a Copa do Brasil de 2001, jogaria a Libertadores de 2002.
Que foi bem mais fraca que a de 2003.
A Final de 2002 foi entre São Caetano e Olímpia!

O Corinthians perde a final da Copa do Brasil de 2008.
Mas ganha em 2009.
Não sabemos como será em 2010.

Mas se estivessem na Libertadores desse ano...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

FURACÃO A UM PASSO DO TÍTULO

Na Argentina, dois fatos raros acontecem nesse domingo. Uma decisão de pontos corridos via confronto direto, e a chance do Huracán se sagrar campeão nacional.

Los Quemeros chegaram na última rodada líderes. 38 pontos. Com 37, está o Velez. Na rodada final, Velez x Huracán, na cancha do vice-líder. Um jogo para a história.

O último (ou primeiro) titulo argentino do Huracán, El Globo, foi em 1973. Antes, o currículo do Furacão Hermano consistia em 4 títulos na década de 20, em escalão de competição amadora. Estes são os 5 campeonatos relevantes do pequeno clube de Buenos Aires. Seu maior rival é o San Lorenzo, que, assim como o Huracán, fez 100 anos em 2008.

Os heróis de 73: Roganti, Chabay, Buglione, Alfio Basile (ele mesmo!), Carrascosa, Brindisi, Russo, Babington (que posteriormente foi tecnico do Globo, trazendo o time de volta da Serie-B), Houseman, Avallay e Larrosa (artilheiro). O técnico? Cesar Luis Menotti. Menotti começou a carreira de treinador em 70, pelo Newell´s, e seu trabalho pelo Huracán em 73 foi consagrador. Graças a este título, conquistado com 3 rodadas de antecipação, Menotti foi para a seleção argentina, onde, em 78, ganhou a Copa do Mundo.

Após essa glória e a sequencia de semi-finalista da Libertadores de 74, o Huracán só chegou perto do caneco em 94, quando, dirigidos por Hector Cúper, o treinador preferido de Ronaldo, foram vice-campeões outra vez.

René Houseman era o craque do Huracán campeão de 73. Houseman era um driblador adorável, uma das referências de uma criança chamada Diego Armando Maradona. Foi no Huracán que Houseman jogou a maior parte da carreira, dividindo-se com a seleção do país, inclusive em Copa do Mundo (atuou em River, Colo-Colo e Independente, sempre por pouco tempo). Houseman foi uma descoberta clínica de Menotti, que o achou no obtuso Defensores de Belgrano.

Mito
Reza uma lenda que, na véspera do jogo do título de 73, Houseman não se apresentou no clube. Menotti, aflito, num momento de intuição, imaginou que Houseman estaria num dos campos de várzea de Belgrano, onde morava. E foi até lá. E encontrou Houseman. No banco de reservas. Menotti, então, teria ficado indignado, não com o ato irresponsável de seu craque, mas sim com o fato de seu principal jogador ser um mero reserva no clube de bairro, e em cima desse raciocínio Houseman tomou um dos muitos sermões que Menotti lhe aplicou no Huracán e depois na Seleção. “Como um fenômeno aceita ser reserva?”, questionava Menotti.

O novo Houseman?:
No jogo de domingo, a maior esperança do Globo chama-se Matías de Federico, 20 anos, baixinho técnico, tipicamente argentino, ele é, ao lado do também atacante Pastore, 19, uma das maiores revelações da competição. Vale lembrar que ano passado o Botafogo avançou nas conversas e quase trouxe Federico. Mas não trouxe...

* * *

torcida do huracán em video emocional
http://www.youtube.com/watch?v=PAa4--fV3uU

Vídeo com imagens do título de 73 do Huracán
http://www.youtube.com/watch?v=pit2TQ3XWkE&feature=related

Imagens da partida decisiva de 73
http://www.youtube.com/watch?v=GkXOvnqSVWY

* Um orgulho particular do Huracán: em 1945, Di Stéfano começou carreira pelo Ríver Plate. Fez apenas um jogo: contra o Huracán. E arrebentou. No ano seguinte, o craque imortal vestiu sua primeira camisa inteiramente branca na carreira: ele atuou pelo Huracán, emprestado, em 1946. 25 jogos, 10 gols, e o retorno ao Ríver em 47.


(após uma pausa , pois pausa é mais honesto em blog do que contar gotas, estamos de volta por aqui)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O Palmeiras e o fôlego

O Palmeiras e o fôlego

O Palmeiras começou 2009 voando, cheio de velocidade, explosão, Willians e Maurício Ramos mostraram-se ser mais do que se esperava. Marcos foi entrando em forma, Keirrson chegou, Marquinhos estava se recuperando de cirurgia e alimentava projeções de um time ainda melhor. Lenny desencantou, Xavier mostrava gols e elegância, Edmílson desembarcou para jogar, a Pré-Libertadores nem fez cócegas ao alviverde.
Nada disso se vê mais. Entre contusões, quedas de ordem técnica e, possivelmente, de cunho motivacional, o verdão não consegue mais emplacar dois bons jogos. Preparou-se por um mês para a decisão na Ilha do Retiro, e lá brilhou. Já se vão duas semanas, 3 jogos, 3 jornadas apagadas.

Que Vanderlei Luxemburgo não está no auge da carreira, todo mundo sabe. Mas o estilo "manager" que ele pretensamente pratica apresenta lacunas graves. A formação tática inicial não vingou, só com Pierre de volante o time roubava pouco, corria muito atrás da bola. Era exposto, e Cleiton Xavier foi naturalmente sendo designado a atuar mais recuado.

Função que Diego Souza, por origem, faria com mais qualidade. Inclusive porque a saída de bola, e o trabalho dos volantes alviverdes, é péssimo. Marcar o Palmeiras pode ser difícil, mas quando uma retranca se encaixa, quando a parte ofensiva é neutralizada e é hora dos volantes oferecerem solução, isto não ocorre.

Quem consegue marcar o ataque do São Paulo, por exemplo, precisa preocupar-se com Jean, que virá de trás. Contra o Palmeiras, este elemento não é oferecido (a não ser que Fábio Costa tome um frangaço num chute fraco...).

Outro ponto é a aposta. Seguindo o exemplo sãopaulino, mas agora um mal exemplo, Muricy foi de Dagoberto como ala direito, na semi-final diante do Corinthians, em que foi eliminado. Não deu certo, mas o Palmeiras, que não tem ninguém realmente apto para a lateral ou a ala direita, não busca alternativas, nem na base, nem no elenco. Em 2008, Luxa acertou quando testou Martinez na zaga. Em 2009, nada tenta.

Luxemburgo já foi mais criativo. E sua comissão técnica já foi mais eficiente. Eu não consigo deixar de imaginar que o trabalho físico, liderado por Antônio Mello, vai mal. O Palmeiras está sem cintura, sem molejo, não consegue movimentar-se. Como - tirante Diego Souza - não é um time forte ou corpulento, jogadores como Xavier, Marquinhos ou Keirrison simplesmente não conseguem jogar com suas características.

Fora do Paulistão, com o curso da Libertadores comprometido. Edmílson contundido, Marquinhos em pé de guerra com a torcida, Keirrison disperso, Lenny imaturo, sem criatividade, sem soluções de banco ou soluções táticas. Danilo e Maurício não conseguiram o broche de xerifes, nem Cleiton Xavier vestiu o chapéu de mestre-cuca. Sobra ao torcedor Diego Souza e sua bravura, e Pierre, um líder involuntário pela garra, mas, ao mesmo tempo, um entrave tático, posto que está especialemnte mal com a bola no pé em 2009.

Luxa é caro, ter a Traffic assim tão íntima custa caro, e o tempo para recuperação é curto e precioso.

terça-feira, 7 de abril de 2009

A experiência de um Fla-Flu




Não existia uma lógica que explicasse minha ida ao Rio de Janeiro num final de semana normal como esse. Pra ver o Maracanã? Mas o Fla-Flu de domingo não valerá nada! Pra conhecer as praias? Espera uma semana e vá no feriado!

Fui no impulso, e bons impulsos não podem ser rejeitados. Sem saber onde ia dormir, pois ainda não desconfiava que um rapaz, gaúcho e sãopaulino, que sequer me conhecia pessoalmente, me deixaria debaixo de um teto, a poucos metros da praia de Copacabana.

O Rio de Janeiro é um labirinto semântico, é fácil defini-lo com os olhos, não com as palavras. Seu povo é receptivo e marrento, eles sabotam qualquer estereótipo verbal. Os contrastes não são só visuais, mas conceituais. Eu vi os micro-shorts das meninas, vi rapazes sem camisas em restaurantes, e será que, afinal, a vulgaridade está no que se veste?

Domingo de Fla-Flu. Pela manhã, fiz minha farra solitária em Copacabana. Cooper, exercícios, chopp, tomei sol, mergulhei, e quando sentei na sombra pra ler jornal, vi em minha frente ser montado um campo de handebol de praia feminino. Isso existe. Assisti um pouco, e vi que o esporte é novo, ainda carece de adaptações na regra, o jogo não é nada atrativo. Uma bola de futebol americano corre de mão em mão mais à esquerda, e, ao fundo, começa a maratona aquática, uma travessia pelo mar que contou com trasmissão da TV.

Sentindo falta do futebol, ou mesmo do futevôley, fui me aprontar para o Maracanã. Metrô. Entram umas 25 pessoas juntas e animadas. Faço amizade com um desses. É o capitão de um time militar que veio jogar um campeonato de futebol no Rio. Vieram todos de Brasília com a família. Ele era vascaíno, estava curioso pra conhecer o estádio-mãe. A cada estação, mais torcedores entram, e dos dois times.

Para um paulistano, isso choca. Quero dizer que sei, claro que sei, que no Rio de Janeiro a violência entre torcedores é grande (existe violência pequena?) e a relação com a polícia não é nada boa. Mas existe uma diferença capital entre a violência das torcidas no Rio e em São Paulo. Aparentemente, no Rio de Janeiro os torcedores comuns se impõem. Reconhecem a violência, mas não abrem mão do metrô, que é deles. Fazem o que tem que ser feito.

Outro aspecto é o jornal. Lí dois jornais diferentes, cariocas, e não encontrei textos carrancudos, pessimistas, daqueles que desencorajam os mais novos e desanimam os mais velho. O caderno de esportes carioca ainda é romântico, não há campanha anti-estádio. O torcedor se escora no que está no jornal, que é o que a sociedade lê. Se o jornal faz campanha anti-estádio, a sociedade se amedronta, e o torcedor não acha eco, nem em casa, nem no metrô.

Posto isso, lembremos também que o Rio é cidade com praia, e aquelas garotas que citei sequer tiram os micro-shorts pra ir ao estádio. Elas influem tanto quanto a polícia na manutenção do bom andamento das coisas, elas inibem "bagunças" de "machões", num exemplo semelhante ao argumento dos que dizem que a grade de proteção só fomenta a violência. Os organizados podem levar faixas, bandeiras, adereços variados, o clima fica bom e bonito, todos estão ocupados, vendo ou fazendo a festa visual, a festa sonora.

Vale dizer que comprei o ingresso em um minuto, faltando meia-hora pro jogo começar. Um minuto. Em São Paulo, faltando 30 minutos pro jogo começar, eu perderia o pontapé inicial. Ainda mais porque, pra entrar, demoro mais muitos minutos. No Maracanã, em 30 segundos com o ingresso na mão, já estava do lado de dentro das catracas. É engraçado o sistema de revista, pois eu só precisei levantar a camiseta. Ou será que o engraçado é poder entrar com o jornal na mão? Vocês sabiam que em São Paulo é proibido entrar no estádio com o jornal na mão?

Muito bem impressionado com a maneira informal e racional de se tratar o torcedor, me admirei em subir a rampa com as torcidas misturadas. Ao fim da rampa, você escolhe se vai pra esquerda ou pra direita, em alguma das duas massas. Telefonei pra uma amiga flamenguista, e um amigo fluminense. Ela ia ficar do lado de fora. Fui apoiar, então, o tricolor. camisas de Fred, e, pasmei, camisas de Washington.

E a torcida canta músicas de referências locais. Gostei das versões de cantos inspiradas em canções de RPM, Roupa Nova ou mesmo funks. Vai ao longe da chatice paulistana de lotar as bancadas com "da-lhe ô, da-lhe ô" e outras melodias argentinas, tendo raríssimas exceções. O torcedor carioca, além de ter o Maracanã, está em momento mais liberto e criativo que o paulista. Ele pode levar coisas, ele pode fazer coisas, ele não aponta o dedo raivoso para as torcidas organizadas, ele não tem receio de pegar o metrô.

No Maraca não se vende cerveja. exemplo copiado de São Paulo. É discutível. Pra mim, discursos de terror em tribunas esportivas, entrevistas com líderes de torcida que só subvertem a importãncia das mesmas, e trabalho obsessivamente ostensivo da polícia são, por exemplo, mais nocivos que uma cerveja. Futebol não é um evento como show de uma orquestra. É tenso, à flor da pele, isso é próprio do futebol, não da cerveja, e se me dizes que uma cerveja potencializa o instinto brigão de um brigador, eu te respondo que a prioridade ainda é o torcedor vascaíno que saiu de Brasília, está indo conhecer o estádo-mãe, e, por ventura, vai querer uma cerveja pra desfrutar o momento.

Saio do estádio após o 1x1 de final elétrico, e, veja você, bebo cerveja, a 500 metros do estádio, com a amiga flamenguista que não entrou. Domingo que vem tem Fla-Flu de novo. Agora, valendo classificação, eliminação. Dá vontade de ir de novo. Foi um ótimo fim-de-semana, e meus olhos vêem flores. Adorei a experiência. Não há o que extingua o aspecto perigoso de dar de cara com a violência em um local desses, enquanto o país não mudar antes. Mas fiquei otimista em ver a forma como é tratado o jogo, nos jornais e nas ruas, na entrada e na saída. É algo que se aproxima do que eu julgo ser ideal.

Acho que o modelo carioca de geir um clássico dá mais certo que o paulista.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Minha burrice?

Estes são os meus dois volantes pra Seleção: Denílson e Diego Souza.

Se dá errado e mostra-se preciso alguém de mais pegada, temos alguns nomes medianos por aí no estilo Josué. Se dá errado e precisamos de mais leveza, temos alguns nomes bons por aí no estilo Hernanes.

Denílson é gostoso de se ver jogar. Sai bem com a bola, tem um passe ótimo, parece ser taticamente inteligente, e sabe fazer falta, sabe bater quando precisa. Diego Souza tem a força, o arranque, sua saída de bola de trás é mais consistente do que suas jogadas de drible, lá na frente.

Vale lembrar que Diego, pelo Grêmio, atuava assim. E no Fluminense, também. Quando perdeu Lucas Leiva para a Seleção, o tricolor gaúcho jogou pela Libertadores dessa forma (Goiano, Diego, Tcheco, carlos Eduardo), e Diego correspondeu.

Felipe Melo é outro que me agrada, e pode jogar nessas duas posições. Teria este no banco.

E digo mais. Em nome de dois volantes que sabem partir pro jogo, e em nome da vocação natural de nossos laterais que atacam, colocaria três zagueiros. Hoje sobram zagueiros, em relação a atacantes, e em relação a volantes pegadores, no Brasil.

A imprensa, em primeira instância, me chamaria de burro. Seja você o primeiro.

Maradona nas alturas

Defendo Maradona. Não sou daqueles que acham que tudo que Maradona faz é legal, e tudo que Pelé faz é chato. Aliás, pelo contrário. Mas defendo Maradona nessa.

Não acho que Maradona quebrou a cara com a derrota absurda que comprovou o efeito da altitude na prática do futebol.

Maradona foi garoto-propaganda da campanha boliviana "pró-altitude", ocorrida no fim de 2007 quando a FIFA vetou partidas nas alturas.

Agora, treinando a Seleção Argentina, perde de seis, com um time pregado, morto por falta de ar em La Paz.

Na entrevista após o jogo, voltou a defender a bandeira de antes, e não diminuiu a vitória boliviana. A imprensa local aplaudiu, a nossa apontou teimosia.

Quando eu ver Maradona dizer, de forma clara, que jogar nas alturas e jogar no nível do mar é a mesma coisa, retiro tudo que disse acima e afirmo que sua declaração é mentirosa e/ou estúpida.

Por enquanto, acho que Maradona é da opinião de que a altitude não pode ser motivo de veto, e não pode-se reclamar da altura, já que trata-se de uma questão geográfica.

Acho essa opinião legítima. Reconhecer que a altitude influencia, mas reconhecer, também, que o mundo não é plano e faz parte do jogo.

Me parece que Dieguito não defende a tese de que altitude e nível do mar são iguais, mas a de que os dois lugares tem os mesmos direitos. Ele não está brigando com a ciência, mas com o regulamento.

Defendo que Maradona se mantenha nessa opinião.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Ronaldo


Sai o gol de Ronaldo.

Claro que dói, ao torcedor do time oposto. O meu, no caso.

Dói pelo gol. Mas um gol num clássico em que o Palmeiras está confortável com o empate. Não é tão ruim assim.

Paulistão, primeira fase, olha, os motivos de tristeza são todos muito pequenos diante da história por trás do gol. Eu confesso que, com a cara fechada, pensei em mil poesias, e admirei.

Pela TV, ví um comentarista, após Luxa criticar a arbitragem, dizer que é preciso ser generoso nessa hora, e lembrar de Ronaldo. O cara da arbitragem na Globo disse que não era pro Fenômeno tomar cartão amarelo pela comemoração.

Calma aí. Primeiramente, acho normal o treinador adversário, que está trabalhando, ficar cego para a poesia do gol rival. Lembro do gol corinthiano em 2001, no Paulistão, contra o Santos, de Ricardinho. Geninho, treinador santista, invadiu o campo e nunca soube explicar a razão do ato. Ele ficou cego. Luxa também ficou e eu acho válido.

Assim como também concordo que Abade, o árbitro, pode dar o cartão amarelo sem ter que lembrar-se da história de vida do amarelado. Não é obrigação dele ser sentimental.

A torcida alviverde, aquela que era formada, no começo de tudo, por imigrantes, comemorava o tal "silêncio na favela". Tudo normal, não vejo juízo de valor num canto desse, até porquê a própria nação corinthiana trata o termo com nobreza, e não como um insulto.

Mas foi a moldura perfeita, esse canto dos palestrinos, para o quadro do suburbano que colocou-se um passo acima do maior clássico do Brasil.

Pra mim, Ronaldo está no mesmo patamar de Cruyff, Eusébio, Di Stéfano, e outros nomes imortais.

Pra mim, história de vida, como a de Ronaldo, só a de Garrincha e a de Maradona.

Foi o gol do Ronaldo. O corinthiano comemorou por Ronaldo. E o palmeirense ficou menos triste, porque não foi propriamente um gol do Corinthians. antes de tudo foi o gol do Ronaldo.

Homem a quem todos querem bem.

Alguma sobservações do Derby


-A piada é ótima, aquela que diz que o Ronaldo, de tão pesado, derrubou o alambrado. Quando ouvi a gracinha, por um segundo esqueci do tamanho da cena. Quantas metáforas cabem numa cena daquela? A torcida correndo em direção ao alambrado, e o homem lá, no pico do mundo, em cima do arame. Imagem inesquecível.

-Da mesma forma, o clima mudar em P. Prudente, justo na hora do segundo tempo, chega a ser engraçado. No sol escaldante, com o tempo abafado, seria temerário colocar o Fenômeno. Mas veio a ventania, fechou o tempo. E Mano só precisou dar um tapa nas costas do homem.

-O Palmeiras, como eu previa no começo da temporada, veio com dois volantes, além dos três zagueiros. Xavier não faz a função de voltar bem, o Verdão sabe que fica exposto. Pierre jogou mal, outra vez, e bem mal, a despeito de parte da torcida que o idolatra. Um primeiro tempo sem criatividade, Keirrison teve que sair da área, Diego se desdobrou, mas os riscos defensivos foram poucos. Um cobertor de mendigo.

-O Corinthians, outra vez em outro clássico, fez uma espécie de boicote ao primeiro tempo. Contra o São Paulo foi semelhante. Time armado de forma muito dura, sem participação dos laterais, nem apoio de volantes, como Elias, que poderia ter explorado, por exemplo, o setor alviverde pendurado desde o começo do jogo. Jorge Henrique jogou 10 minutos e só, errou demais.

-A falha grotesca do goleiro Felipe mudou o jogo. Presente para o Palmeiras, que errou ao optar pelo contra-ataque através da saída de Diego Souza, que estava achando espaços. O Timão fez, agora sim, três trocas ofensivas. Aí, sim, Elias ficou solto. Aí sim, entrou no jogo. Um erro, pois poderiam ter feito coisa melhor na primeira etapa, onde o Palmeiras estava mais duro que o Corinthians.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Essa coragem toda e tola


O Palmeiras 100% entrou em campo concentrado para enfrentar o atual campeão, fora de casa, pela Libertadores. Parada dura, ainda mais para um time que carece de maturidade, posto que é começo de temporada.

O Verdão esteve bem. Edmilson conseguia ser uma sobra flutuante, uma vez que, pautado na marcação individual de Pierre em Manso, o sistema defensivo cuidava bem das movimentações do ataque equatoriano, que, nesse tempo, não trabalhou jogadas e só tinha as laterais do campo como opção.

Mas Pierre segue o mesmo. Pierre precisa melhorar, e muito, se quer de fato ser considerado um jogador de ponta. Aguerrido e faminto, é incapaz, porém, de fazer uma marcação intensa, individual, sem se queimar. Manso precisou de 18 minutos para amarelar o camisa 5.

E depois disso, Manso jogou muito, muito mais que Pierre. Deu o passe do primeiro gol, tirou o Palmeiras do relativo conforto, habitou a cabeça da área verde. Pierre viu navios, e rezou para ver outro volante ao seu lado. Mas, pior, viu foi um zagueiro a menos.

Luxemburgo ousou. Tirou o também pendurado Maurício Ramos, no intervalo, já que o time perdia, 2x1, graças a outra falha lamentável de Marcos, o segundo nessa Libertadores. Mesmo com a recompensa do empate aos 3 da etapa final, o Verdão seguiu um time exposto demais nessa etapa.

Porque Pierre, como dito, já pendurado e mal em campo, virou presa fácil de um LDU que avançava com bola, com Urrutia, com todo o seu meio-campo, trabalhando com competência, colocando bola nas costas dos laterais, com Bieler aparecendo facilmente após primeiro tempo apagado, atacando e, veja você, ao mesmo tempo, dono também dos contra-ataques.

Marquinhos, que entrou no lugar de Maurício, mudando o esquema tático para trazer volume no ataque, simplesmente não jogou. Sua displiscência já desagradou. Nas três vezes que atuou pelo time, mostrou-se indolente, no mundo da lua, crendo que sua pretensa habilidade resolve algo. Preguiçoso como Dorival Caymmi, sem a poesia de Jorge Amado, não convenceu a torcida que , ao falar de atacante baiano, lembra-se de Oséas e da Libertadores 1999.

E é assim, cheio de espaços, que Manso faz 3x2, numa cobrança de falta linda. O Palmeiras, dessa vez, não acha recursos para voltar pra briga. Está bagunçado, não recupera a bola. Nem Lenny nem Evandro mudaram o panorama, mas isso já era de se esperar, pois entraram, os dois, fora de posição, ao lado de companheiros ilhados em campo, rifando a bola (Armero) ou querendo resolver sozinhos (Diego).

Luxa foi corajoso, mas mandou mal. Como era previsível, no jogo em que o time foi cobrado na defesa, faltou um volante. Foi nobre mas vão o ato de sacar um zagueiro, mudar-se para o 4-4-2. O resultado é normal, é o jogo mais difícil da primeira fase para o Palmeiras.

Isso só não pode servir para que o time se resigne e deixe pra lá algumas falhas infantis, de ordem tática e comportamental. Pois, além do supracitado, Edmilson fez falta desnecessária que deu em gol, e Armero agrediu Urrutia no primeiro tempo.

Caminho longo, Palmeiras.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Marcão, contratado pelo Palmeiras: gostei

Quando a secretária da Conmebol já guardava seu carimbo, veio o Palmeiras e inscreveu Marcão, defensor que era do Inter e já foi do Furacão.

Com quem conversei, a opinião e a impressão dominantes é a de que Marcão é grosso, presepeiro, pouco confiável.

Eu tenho uma opinião diferente. Marcão realmente não é um grande jogador, nem sua experiência é assim tão alentadora.

Em 2008, Luxemburgo acertou o time, por algumas rodadas, atuando com Martinez como zagueiro pela esquerda.

Edmílson tem atuado de uma forma singular em 2009. Um líbero à frente da zaga.

Acho que Marcão pode ir muito bem como zagueiro pela esquerda, nos moldes de Martinez em 2008, com saída de bola e bom posicionamento.

E apostaria que Marcão faria de forma razoável um substituto de Edmílson, que atua com o cérebro, preenchendo espaços à frente da zaga.

Por isso, eu acho que foi uma boa contratação.